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Jorge Coelho e o Triângulo das bernunças - Por Antunes Severo
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Nascido na Zimba, simpática e serena localidade ao Sul de Santa Catarina, Jorge começa cutucando o leitor como esperto manezinho que também é. 

"E vai logo afirmando na capa de seu primeiro livro “Somos assim, meio gente, meio Bernunça. Ora o mundo nos engole, ora engolimos o mundo. Rejeitamos as certezas e, talvez por isso, vamos vivendo sob a bênção de uma boa dose de paz. Rimos dos outros, mas também rimos de nós mesmos”. O livro Triângulo das bernunças é uma edição do Autor. Foi impresso em setembro e lançado em novembro de 2009.

O prefácio é do jornalista e também cronista Sérgio da Costa Ramos. Nele Sérgio traça delicioso perfil do autor. Boa leitura.

 

Jorge, cantador e contador

 

Jorge Coelho, como Villa-Lobos, é uma extensão do próprio violão, cuja anatomia curvilínea sempre foi submissa ao seu colo e sensível ao contato dos seus dedos. O compositor festejado de Ilha – o segundo hino da Ilha de Santa Catarina – e de tantos outros sucessos, como Paixão Açoriana, Morena Tirana, Segura a Onda, Tosse de Orador, Saia no Dente, Furacão da Costeira, Indomável Prazer, Zimba, Sem Açúcar, Sem Afeto, Perdido Amor, Gato por Lebre, Esse Piá e Roda Pião, entre dezenas de outras criações, Santa Catarina não só conhece, como ama e cultiva.

 

O Jorge Coelho contador de histórias nós vamos conhecer agora.

O Jorge telúrico que vai às raízes da infância e da adolescência em Imbituba – sua Zimba querida –, Laguna e Floripa, para de lá extrair casos e “causos” gravados no consciente e no inconsciente, “estórias” soltas, pastoreadas no cercadinho da memória e colocadas a pastar no ar livre do seu bom humor.

 

Há algo de felliniano nas lembranças de Jorge, revivendo Seu Amarcord na Zimba em que o vento Siroco se chama “Teimoso”- um nordestão meio selvagem, que mexe com a psiquê das pessoas e torna e inesquecíveis os seus verões.

 

Em Zimba nasce a criativa generosidade do menino Jorge, que convive em grande harmonia e tolerância com o caricato, o lado chaplianiano da vida. É esse humor simples – mas nunca simplório – que torna cada uma das crônicas deste Triângulo das Bermudas um pequeno tratado de como levar a vida rindo da divina e humana comédia – “rindo dos outros, mas também sabendo rir de mós mesmos”.

Cascão, hilária, é crônica que daria comédia clássica de um Mario Mocelli, um Vitorio de Cicca, um Giuseppe Tornatori – o Tornatori de Cine Paradiso, talvez.

 

Jorge Coelho também foi um Totó, garoto curioso que um dia se tornou, ele próprio, um criador de sucessos, sem deixar de colocar-se, ele mesmo, sob o olho indiscreto da câmera mergulhada em sua infância profunda.

O Jorge Coelho, criança, que transformou em comédia a biblíca liturgia do lava-pés, em Cascão.

Depois desse banho, descubra como a “raça” ludibriava o cobrador do “Imbituba-Laguna”, trem Maria Fumaça a bordo do qual as crianças de Zimba chegavam até a escola lagunense. O vai e vem da molecada tonteava o guarda-trem, que gostava de um Underberg…

 

Sinta-se na erógena pele do autor de Nos tempos de secura, quando os coquetéis de testosterona remetiam os adolescentes aos altares de Onã, em tempos de descobertas de pecados.

 

Entre para a banda de Rock The Hits, e embarque num Ford A, 1929, a bordo do qual Jorge e seus blues caps abrilhantariam a soirée do Itapirubá Clube em cujo tombadilho chegaram dispersos – e náufragos –, com o “ônibus” da companhia no fundo do Oceano Atlântico.

 

Confira nos termômetros da Paixão Açoriana a devoção do netinho Jorge à querida vovó Hermínia (que ele não conta, mas há tê-lo salvo da medonha surra insinuada na crônica Cascão…), a quem o compositor dedica emotivo poema-canção – o contador cantando a sua história de duplo Édipo, para acalentar a memória de quem “era bendita, era bonita, tal como a Lua no Canto dos Araças”.

Chacoalhe de rir, ao espiar por trás de um bambuzal a frustrada Serenata em Capoeiras. Desastre completo: a musa a ser homenageada não só não estava em casa. Foi muito pior: chegou de carro com a família flagrando os serenautas. E ainda trazia no braço um namorado oficial. Violão e versos jogados fora…

Si non é vero é bene trovato e Jorge deixa claro que seus causos não precisam provar verossimilhança: “Há causos que são verdadeiras pérolas. Quer sejam  verídicos ou não, isso não tem a menor importância” – admite um Jorge confessional, em O Encanador.

 

Manezinho do “Triângulo Zimba Laguna Floripa”, o autor testemunha um bloco de sujos em Carnaval na Praça XV, autodenominado “As garotas que comeram o Césio” – pode?! –, vai um baile no Bola Preta no Rio, servindo de álibi para um tio boêmio, e até compõe para o carná de Floripa, por encomenda do mané Irê Silva, uma marcha rancho do indecoroso apelo: “A linguiça do Carlinho”…

 

Pode?!

No “Triângulo” do Jorge pode.

 

Até porque o cantador-contador de histórias toma o bem-humorado zelo de avisar bem na porta do livrinho:

 

- Nada aqui é para ser levado a sério. "

 

Sérgio da Costa Ramos

 

 

 

Pelas Ruas com Jorge Coelho - Por Cláudia Barbosa

http://www.carosouvintes.org.br/pelas-ruas-com-jorge-coelho-2/

"O Pelas Ruas da Minha Cidade foi conversar com o compositor Jorge Coelho sobre sua  história de vida.

Esta entrevista foi gravada em 11 de setembro de 2009.

O Pelas Ruas da Minha Cidade é produzido pela TV Câmara da Cidade de Florianópolis, apresentado por Cláudia Barbosa e podcast convertido por"

 

Para ouvir a entrevista acesse: http://www.carosouvintes.org.br/pelas-ruas-com-jorge-coelho-2/#sthash.Zzr9ZXkK.dpuf

Jorge Coelho: “para compositor não existe escola” - Por Antunes Severo

http://www.carosouvintes.org.br/jorge-coelho-para-compositor-nao-existe-escola/

O ser compositor implica em que você tem de se assumir. Nisso tem um pouco de ousadia. O compositor tem que estar com todas antenas ligadas, 24 horas por dia. 

"Ousado, caprichoso, detalhista e harmonioso. A quantidade de adjetivos poderá espantar o leitor menos acostumado com a sinceridade com que trato os frequentadores deste semanal Ponto de Encontro que temos neste sítio imaginário situado nos jardins do Instituto Caros Ouvintes.

 

Aprochegue-se caro leitor e abanque-se, pois vou lhe contar um pouco do que tenho aprendido desde que conheci o cidadão Jorge Coelho e suas façanhas de músico, compositor, produtor cultural e escritor.

 

Na conversa de duas horas que tivemos aqui estão os 36 minutos e 32 segundos que gravamos na casa dele – um apartamento de primeiro andar que tem como fronteira, nada mais nada menos do que o quintal da casa do historiador,  jornalista  e professor Osvaldo Rodrigues Cabral que muita saudade nos deixou.

 

Do Jorge que conheci trago um breve resumo dos rastros que marcam sua vida profissional e artística.

“Catarinense, natural de Imbituba (a Zimba), Jorge Henrique Coelho Silva começou a tocar violão aos 16 anos, influenciado pela Beatlemania e pelo movimento da Jovem Guarda. Dois anos mais tarde já fazia parte de importantes grupos musicais da região Sul do Estado, onde também teve atuação destacada como compositor em vários festivais. Em 1967, mudou-se para Florianópolis para estudar engenharia”.

 

“Durante esse período Jorge continuou estudando violão e compondo, influenciado, agora, pela MPB de Tom Jobim, Toquinho, Vinicius, João Bosco, Chico Buarque, João Gilberto, Caetano, Gil e Milton Nascimento. Com três CDs já lançados – Paixão Açoriana, em 1997, Zimba, em 1999 e Farol dos Naufragados, em 2003, as suas apresentações atraem um público selecto e cativo”.

 

[ Construir Cultura, livro documentário publicado pela Presidência do Governo das Comunidades – Direção Regional – Açores, 2008. Faz parte do livro um CD produzido por Jorge Coelho com 12 músicas, sendo sete sua própria autoria, três em parceria, respectivamente com Hélio Beirão, Maria das Dores Beirão e Dorlin Nunes Júnior e duas de Hélio Beirão]

 

 

Em maio de 2007, reuniram-se na Ilha de São Miguel (nos Açores), Jorge Coelho de Santa Catarina, Brasil, Hélio e Maria das Dores Beltrão, naturais da Ilha Terceira e residentes em Napa, Califórnia, Estados Unidos. A sua missão era gravar a produção musical encetada por ocasião da primeira edição do encontro Construir Cultura, fruto da criação de laços e de partilha de experiências nos Açores e entre Comunidades, o violão de Jorge Coelho e o violão e viola da terra de Hélio Beirão, em diálogos de saberes antigos e novos, envoltos pela ternura cálida e serena de Maria das Dores. [ Construir Cultura, 2008 ]. "

 

Para ouvir as entrevistas acesse: http://www.carosouvintes.org.br/jorge-coelho-para-compositor-nao-existe-escola/